Novembro Azul pet – saúde de caninos e felinos machos precisa de atenção especial!

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Assim como os humanos, os pets machos também podem desenvolver problemas de saúde específicos, como o câncer de próstata – uma doença de desenvolvimento lento e silencioso, que só costuma provocar sinais e sintomas depois que está avançada. O que torna ainda mais importante levá-los regularmente ao médico veterinário e realizar os exames de checkup sempre que indicados. Para falar sobre o assunto, o Portal Pet Saúde convidou a Dra. Claudia Brito, que é médica veterinária oncologista do Hospital Veterinário da Pompéia.

Dra. Claudia Brito – Veterinária Oncologista do Hospital Veterinário da Pompéia

NOVEMBRO AZUL PET – o câncer de próstata afeta caninos e felinos machos de qualquer idade? Quais são os fatores de risco?

DRA. CLAUDIA BRITO – normalmente, o câncer de próstata afeta os pets com idade mais avançada, ele é mais difícil de ocorrer nos que são jovens. Então, sabemos que a idade é um fator que predispõe à doença. Não há fatores de risco específicos que aumentam as chances de desenvolver o câncer de próstata, como pode acontecer em humanos. Embora algumas raças caninas possam apresentar um risco maior, como o terrier escocês e o pastor de Shetland.

NOVEMBRO AZUL PET – o câncer de próstata é comum em cães e gatos?

DRA. CLAUDIA BRITO – a incidência é baixa em comparação aos tumores em geral, em torno de 0,1 a 0,2% em cães. Já os gatos, eles dificilmente apresentam neoplasias na próstata, porque ela tem uma funcionalidade diferente nos felinos, não é tão relevante, ao contrário do que acontece nos cães. Nos gatos, a glândula bulbouretral é mais importante do que a próstata para a produção do sêmen.

Entretanto, o câncer não é a única doença que pode atingir a próstata. É possível que ela também seja afetada, por exemplo, pela hiperplasia prostática benigna, que é um aumento da próstata não associado com tumores. Aliás, a hiperplasia é bem comum em cães e provoca sinais e sintomas muito parecidos com os do câncer de próstata. Além da hiperplasia, existem ainda os cistos prostáticos e a inflamação da próstata, que normalmente ocorrem em pets mais jovens e estão associados à vida reprodutiva.

NOVEMBRO AZUL PET – Como costuma ser a evolução da doença, quais são os sinais e sintomas do câncer de próstata?

DRA. CLAUDIA BRITO – é uma evolução lenta. Muitas vezes, os sinais clínicos não são tão evidentes. Então, a doença só é descoberta mais avançada, quando há sinais clínicos associados.

Um dos primeiros sintomas costuma ser a dificuldade para defecar, que é chamada de disquesia. Como a próstata está muito próxima do reto, ela acaba comprimindo a passagem das fezes, o que pode causar dor, fazendo com que o pet desista de evacuar depois de algumas tentativas. E quando o pet evacua, vem fezes em fita, o aspecto delas é amassado. Além disso, ele pode apresentar sangue na urina. Então, o tutor deve ficar atento a esses aspectos nos cães. Em gatos, não acontece.

NOVEMBRO AZUL PET – é possível prevenir o câncer de próstata nos pets?

DRA. CLAUDIA BRITO – é importante fazer os checkups de rotina anuais. Além disso, em cães acima de cinco ou seis anos, também deve ser feito exame de toque retal, que permite avaliar a próstata e verificar se ela tem alguma alteração que possa sugerir uma hiperplasia ou neoplasia prostática. Em relação à castração, que nas fêmeas é importante para prevenir os tumores de mama, nos machos, pode até agravar o desenvolvimento do câncer de próstata nos pets que têm a doença, segundo alguns pesquisadores.

Nas fêmeas, quanto mais cedo os hormônios forem retirados, melhor é para diminuir a incidência de câncer de mama. Mas, nos machos, não há esse efeito protetivo para a próstata. Inclusive, existem pesquisas que indicam um aumento na incidência do tumor prostático relacionado à castração precoce em machos de raças que têm predisposição à doença. Além disso, a castração em pet com câncer prostático pode piorar a disseminação desse tumor.

NOVEMBRO AZUL PET – como é feito o diagnóstico do câncer de próstata em pets?

DRA. CLAUDIA BRITO – diante da suspeita, que pode ser por sinais clínicos ou verificação de alteração na próstata em exame de toque, há outros exames que permitem chegar a um diagnóstico preciso. Até porque existem diferentes problemas que podem provocar os sinais parecidos com o câncer de próstata, como a hiperplasia prostática benigna.

A ultrassonografia é o exame de imagem mais utilizado para confirmar o diagnóstico, mas também pode ser feita uma tomografia computadorizada dependendo do caso. Outros exames como a citologia ou biópsia, que será feita com o pet sedado. O procedimento é guiado por ultrassom, um exame de imagem que mostra onde está a próstata para que possa ser inserida a agulha que recolherá uma amostra do tecido para ser avaliada.

Como em todo o câncer, o diagnóstico precoce é muito importante. O quanto antes o tumor for diagnosticado, mais cedo pode ser iniciado o tratamento, o que traz um melhor prognóstico. Pois, embora a incidência do câncer de próstata seja baixa, é uma doença agressiva, que pode ter metástase para o pulmão e para as regiões próximas à próstata, até para os ossos da região pélvica.

NOVEMBRO AZUL PET – como é o tratamento do câncer de próstata em pets?

DRA. CLAUDIA BRITO – uma vez fechado o diagnóstico de câncer na próstata, é indicada uma cirurgia chamada prostatectomia, que é a mesma indicada para humanos. Nela, é feita a retirada da próstata por um especialista nesse tipo de procedimento cirúrgico. Depois, o pet é submetido à quimioterapia.

NOVEMBRO AZUL PET – quais outras medidas são importantes para manter a saúde de machos caninos e felinos em dia?

DRA. CLAUDIA BRITO – no geral, a medida mais importante para a prevenção de problemas de saúde dos machos, tanto caninos quanto felinos, é a realização dos exames de rotina. Os de pequeno porte, a partir dos sete e os de grande porte, a partir dos cinco anos de idade.

Agendamento de consultas e exames para o seu pet

Hospital Veterinário da Pompéia

Telefone e WhatsApp – (11) 3164-0182

*Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta com o médico veterinário e não deve ser utilizado para diagnóstico ou medicação para seu pet. Qualquer dúvida, ou sintoma que o animal venha a presentar, deve ser relatado ao médico veterinário competente de confiança, somente ele esta habilitado à fazer o diagnóstico preciso, prescrever medicamentos e tratamentos para cada caso e acompanhar a evolução do quadro de saúde do pet.

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